Tarcísio se reúne com quatro ministros do STF em meio a tentativas de Bolsonaro de ir para prisão domiciliar
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reúne hoje com quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Os encontros ocorrem em meio às tentativas da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro de conseguir o benefício da prisão domiciliar, o que já foi negado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, em outras ocasiões.
O primeiro encontro é justamente com Moraes, com quem Tarcísio mantém boa relação. A agenda oficial do governador traz ainda reuniões com Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, decano da Corte.
Na terça-feira, o vereador Carlos Bolsonaro afirmou que os advogados do pai apresentariam novo pedido de domiciliar. Bolsonaro está preso na Papudinha após ser condenado a uma pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado.
Ele já recebeu a visita do próprio Tarcísio no fim de janeiro, oportunidade em que o governador reiterou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, após uma série de atritos.
"Tanto o laudo da Polícia Federal quanto o laudo do médico assistente são categóricos ao apontar quase 10 comorbidades relvantes e os elevados riscos de morte a que está submetido o Presidente @jairbolsonaro. Trata-se de uma medida humanitária, necessária e juridicamente amparada", afirmou Carlos nas redes sociais.
Laudo da PF
O laudo a que ele faz referência concluiu que Bolsonaronão precisa de cuidados em nível hospitalar e pode seguir cumprindo pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha. O ex-presidente foi transferido para a unidade em 15 de janeiro.
A perícia da PF afirma que o quadro clínico de Bolsonaro é estável e que, no momento da avaliação, não há indicação de encaminhamento de urgência nem de transferência para hospital penitenciário, desde que sejam mantidas as condições atuais de acompanhamento médico e assistência à saúde.
O documento foi produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes havia pedido o laudo para a PF para analisar um pedido da defesa sobre eventual concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente.
Segundo o laudo, embora não haja necessidade de internação hospitalar imediata, o ex-presidente apresenta um quadro de "multimorbidade", com doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas, além de histórico de cirurgias abdominais extensas.
"O histórico de queda recente e desequilíbrio direcionou a perícia para um exame neurológico cuidadoso. Dessa forma, foram encontradas alterações neurológicas no exame físico e aventadas hipóteses relacionadas com as demais informações coletadas do caso", diz o texto
Ainda de acordo com o documento, embora o ex-presidente apresente múltiplas comorbidades crônicas — como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono grave, doença aterosclerótica, refluxo gastroesofágico, episódios recorrentes de pneumonia aspirativa, anemia ferropriva, sarcopenia e histórico de cirurgias abdominais extensas — essas condições estão sob controle clínico e não configuram, por si só, incompatibilidade com o ambiente prisional.
Conversas anteriores
No mês passado, Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já haviam procurado ministros para defender a concessão de prisão domiciliar. Na ocasião, três interlocutores próximos a Tarcísio confirmaram ao GLOBO que o governador conversou por telefone com ao menos quatro ministros da Corte nesta quarta-feira para tratar do pedido.
Além da movimentação de Tarcísio, fontes próximas à família Bolsonaro relataram que Michelle também atuou nos bastidores. Esta informação foi inicialmente veiculada pelo portal g1. A ex-primeira-dama participou de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes e chegou a pedir que ele falasse diretamente com o relator do caso, Alexandre de Moraes, numa tentativa de sensibilizá-lo sobre o pleito.
Michelle também teria dito ao magistrado que deseja cuidar pessoalmente de seu marido e que suas condições de saúde não lhe permitem cumprir regime fechado. Procurados, Michelle e Tarcísio não se manifestaram.
As conversas ocorreram enquanto Bolsonaro ainda estava na Superintendência da PF e ocorreram após ele sofrer uma queda na cela.