Indicação de mudança de posição da PGR sobre suspeição elevou pressão sobre Toffoli para deixar relatoria
A indicação de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) iria mudar sua posição e se manifestar de forma contrária à permanência de Dias Toffoli à frente da relatoria do caso Master elevou a pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o dia de quinta-feira. À noite, Toffoli e os demais dez ministros decidiram pela redistribuição do caso para outro magistrado, e o sorteado foi André Mendonça.
Agora, a PGR não terá mais que analisar o assunto, pois há a chamada "perda de objeto".
Durante o dia de quinta, a PGR havia sinalizado que poderia reavaliar uma manifestação feita nos autos, quando se posicionou de forma contrária à suspeição do ministro.
Segundo pessoas próximas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a tendência era que o órgão se detivesse detalhadamente sobre o relatório da Polícia Federal que mostrava citações a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central (BC).
A mesma avaliação de que a PGR iria mudar a rota ganhou força nos bastidores do STF. Diante do teor do material encaminhado pela PF, a permanência do ministro na relatoria foi considerada "insustentável".
Segundo interlocutores da PF ouvidos pelo GLOBO, o relatório — com cerca de 200 páginas — foi oficialmente recebido pela PGR e seria analisado de forma aprofundada.
O pedido de suspeição contra Toffoli foi aberto na Corte após o chefe da PF, Andrei Rodrigues, entregar o documento ao presidente da Corte, Edson Fachin. Fachin, por sua vez, enviou o caso a Toffoli e posteriormente à PGR.
Quando recebeu o material, Toffoli negou a suspeição. O magistrado afirmou ter recebido um "pedido de declaração de suspeição" elaborado pela PF para se afastar da relatoria do caso do Banco Master, mas tratou o relatório como baseado em "ilações".
Na quinta-feira, Toffoli admitiu em nota que é sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca "recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".
A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. O ministro é o relator, na Corte, da investigação sobre as supostas fraudes na tentativa de compra do Master pelo BRB. A Polícia Federal entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, o material encontrado no celular de Vorcaro, em que há menções a Toffoli.