Filho do último xá do Irã se diz pronto para liderar 'transição' em ato que reuniu 250 mil contra regime teocrático em Munique
O filho do último xá do Irã, Reza Pahlevi, afirmou neste sábado que está pronto para liderar a transição política do país em direção a uma democracia durante um discurso em Munique, durante um ato que reuniu cerca de 250 mil pessoas na cidade alemã, que recebe alguns dos principais líderes mundiais para a principal conferência de segurança da Europa.
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— Estou aqui para garantir uma transição para um futuro democrático e secular — disse Reza Pahlevi a uma multidão reunida na praça Theresienwiese, um importante espaço público em Munique. — Comprometo-me a ser o líder dessa transição para que um dia possamos ter a oportunidade final de decidir o destino do nosso país por meio de um processo democrático e transparente, até as urnas.
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O ato na Alemanha foi convocado para aproveitar a presença de líderes mundiais na Conferência de Segurança de Munique. Manifestantes compareceram de diferentes partes da Europa, para levantar a voz contra a violenta repressão pelo governo teocrático de Teerã aos protestos populares ocorridos de dezembro a janeiro.
— Quando um governo mata seu próprio povo nas ruas, não é confiável — declarou Razieh Shahverdi, uma profissional de marketing iraniana de 34 anos que viajou de Paris para participar da manifestação.
Entre os presentes, muitos exibiam a bandeira iraniana com um leão e um sol, a mesma usada durante o período monárquico na nação persa, que durou até 1979, quando o pai de Reza, Mohamed Pahlevi, foi deposto pela Revolução Islâmica. O xá deposto se exilou no Egito. Reza vive em Nova York.
O filho do último xá do Irã, Reza Pahlevi, saúda manifestantes em Munique ao lado da esposa, Yasmin
Michaela Stache/AFP
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— É a melhor opção para o nosso país porque conhecemos a família Pahlevi — argumentou Riana, uma médica de 40 anos que vive na Alemanha e preferiu não revelar seu sobrenome por motivos de segurança.
A grande manifestação ocorre em um momento de particular pressão sobre o Irã, imposta pelos EUA. O presidente americano, Donald Trump, enviou dois porta-aviões e uma força naval significativa para o Oriente Médio, em meio às negociações de um novo acordo nuclear com Teerã. Trump fez ameaças de bombardear o país, motivo de controvérsia entre aliados.
Enquanto Pahlevi e setores da oposição iraniana esperam que Washington possa ajudar com uma mudança de regime, outros atores de interesse dos EUA apontam outros objetivos como prioridade. Em uma reunião na Casa Branca nesta semana, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, tentou convencer o presidente americano a ordenar um bombardeio contra instalações do programa de mísseis iraniano, vistos por Tel Aviv como a principal ameaça a partir de Teerã.
Muitos dos manifestantes em Munique carregavam bandeiras do período monárquico do Irã
Alexandra Beier/AFP
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Países árabes aliados dos EUA, como Arábia Saudita, Omã e Catar, apontaram como fatores indesejáveis de instabilidade o início de uma nova guerra na região e uma mudança de regime. Mesmo com posições antagônicas ao Irã, as monarquias do Golfo foram importantes atores para o processo diplomático em curso.
Em uma coletiva de imprensa à margem da Conferência de Segurança de Munique, Pahlevi voltou a fazer um apelo a Trump por uma intervenção no país.
— O povo iraniano ouviu você dizer que a ajuda está a caminho e confia em você. Ajude-os — disse o herdeiro do xá. — É hora de acabar com a República Islâmica. Essa é a exigência que ecoa desde o massacre dos meus compatriotas.
Em um gesto à população, no que foi lido por observadores como um reconhecimento incomum de culpa, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um pedido de desculpas a "todos os afetados" pela violência nos protestos contra o regime. Embora não tenha mencionado o papel das forças de segurança na repressão, Pezeshkian se disse "envergonhado", e pediu união em um momento de instabilidade nas ruas e de ameaça de nova ofensiva militar dos Estados Unidos. (Com AFP)