Filhos de Bolsonaro reagem após Moraes anular sindicância do Conselho Federal de Medicina: 'negacionista'
Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular a sindicância determinada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para avaliar o atendimento médico prestado ao pai. Nesta quarta-feira, o magistrado autorizou que Bolsonaro fosse levado a um hospital particular para realizar exames — o que havia sido negado inicialmente — após ele sofrer uma queda e bater a cabeça na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em nota divulgada nas redes sociais, que Moraes é um "negacionista" que não deve "se sobrepor à medicina". O parlamentar questionou a demora para o pai ser encaminhado ao hospital, o que considerou "inaceitável", e defendeu a progressão para a prisão domiciliar. Bolsonaro, no entanto, não acionou o protocolo de emergência e dispensou a ajuda dos servidores após ser questionado sobre a queda.
"Gostaria muito de ver o posicionamento concreto do presidente da mais alta Corte do Judiciário brasileiro (Edson Fachin, presidente do STF) sobre o total descontrole de seu par, que não se comporta como um magistrado, mas sim como um carrasco", completou Flávio.
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O ex-vereador Carlos Bolsonaro compartilhou uma publicação do ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, que também questionou o tempo necessário para Moraes autorizar os exames no ex-presidente frente a "rapidez" para "constranger e intimidar" o CFM.
"Quando o tema envolve restrição institucional e intimidação, as decisões são céleres; quando envolve direitos básicos e proteção à saúde, a demora se impõe", escreveu Sachsida nas redes sociais.
Filhos de Bolsonaro reagem após Moraes anular sindicância do Conselho Federal de Medicina
Reprodução/X
Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro repostou a publicação de um perfil bolsonarista que ironiza a decisão do ministro. "É democracia demais", diz o post.
Filhos de Bolsonaro reagem após Moraes anular sindicância do Conselho Federal de Medicina
Reprodução/X
Entenda a decisão
Para o ministro, a medida do Conselho é "flagrantemente ilegal" e configura desvio de finalidade, razão pela qual ficam proibidos, em âmbito nacional e estadual, quaisquer procedimentos do CFM com esse objeto.
Além disso, Moraes determinou que o presidente do CFM seja ouvido pela Polícia Federal em até 10 dias, para explicar a conduta da autarquia e apurar eventual responsabilidade criminal. Também ordenou que o diretor do Hospital DF Star encaminhe ao STF, em 24 horas, todos os exames e laudos médicos realizados por Bolsonaro na data da decisão.
Nesta quarta-feira, a autarquia federal responsável pela fiscalização técnica e ética da medicina determinou a instauração de uma sindicância para apurar denúncias que "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica" ao ex-presidente após a queda.
O CFM afirma que Bolsonaro tem um "histórico clínico de alta complexidade", com sucessivas cirurgias abdominais e soluços intratáveis, além de outras comorbidades.
Bolsonaro não acionou protocolo
O ex-presidente Bolsonaro não acionou o protocolo de urgência necessário após cair e bater a cabeça na Superintendência da PF, na madrugada de segunda para terça-feira. Conforme apurou o GLOBO, Bolsonaro, ao acordar pela manhã, contou aos servidores que caiu da cama, mas que estava tudo bem e que não precisava de ajuda.
O ex-presidente continuou no quarto após se machucar, sem avisar ninguém. Pela manhã, ao entrar no local, policiais penais viram um machucado na testa, mas Bolsonaro falou que não era nada. A queda foi revelada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nesta terça-feira, que soube do ocorrido após ir visitá-lo na prisão.
Segundo ela, porém, Bolsonaro só foi atendido quando foi chamado para a visita, e teria se machucado por bater a cabeça em um móvel após uma "crise". Carlos afirmou que encontrou o pai "artodoado", com hematoma no rosto e sangramento nos pés.
Em nota, a corporação afirmou que Bolsonaro foi examinado por um médico da PF que não identificou a necessidade de encaminhamento hospitalar, e que eventual ida ao hospital depende de autorização do Supremo.
Logo depois do ocorrido, Moraes havia negado um pedido da defesa do ex-presidente para que ele fosse transferido a um hospital. Ele considerou que não havia "nenhuma necessidade de remoção imediata", solicitou a apresentação do laudo do atendimento na PF e pediu para os advogados indicarem quais exames devem ser feitos.
Ontem, a defesa afirmou que Bolsonaro seria submetido a uma tomografia e uma ressonância magnética do crânio e a um eletroencefalograma. Os exames constataram que Bolsonaro tem galos nas regiões temporal e frontal do lado direito da cabeça, compatíveis com um traumatismo craniano leve. Ele já retornou à prisão.