Viúva do criador da Playboy acusa fundação ligada ao magnata de armazenar milhares de fotos sexuais de mulheres e 'possivelmente meninas'; entenda
A viúva do fundador da Playboy, Hugh Hefner, afirma que a fundação associada ao empresário manteve sob sua guarda milhares de imagens sexualmente explícitas de mulheres e até “possivelmente meninas”, dando origem a um debate público sobre o destino do material após a morte do magnata, em 2017.
De acordo com o relato, Crystal Harris apresentou duas denúncias contra a fundação ligada à marca Playboy, alegando a existência de cerca de 3 mil álbuns de recortes com fotografias de teor sexual envolvendo mulheres e “possivelmente” garotas menores de idade.
Segundo informações da emissora americana CBS, as acusações vieram a público durante uma coletiva realizada no escritório da advogada Gloria Allred, que representa Crystal, em Los Angeles. Segundo Allred, ainda não está claro de que forma a fundação passou a ter posse dessas imagens depois da morte de Hefner.
— Crystal escolheu corajosamente falar sobre essa questão hoje, não apenas em seu próprio nome, mas em nome de milhares de outras mulheres e possivelmente garotas que são retratadas nos álbuns de recortes e/ou mencionadas no diário sexual pessoal de Hugh Hefner — explicou a advogada em coletiva de imprensa.
Hugh Hefner e Crystal Harris
AFP
Crystal afirma ter sido retirada do cargo de presidente da Hugh M. Hefner Foundation após manifestar preocupação com o conteúdo dos álbuns, que reuniriam registros fotográficos de encontros sexuais antes, durante e depois de ocorrerem. Ela diz que já haviam solicitado sua renúncia anteriormente, mas que recusou.
— É fundamental que o público entenda que não estou me referindo a imagens que apareceram em revistas. Meu foco é como os álbuns pessoais de Hugh Hefner registravam momentos privados que aconteceram a portas fechadas — diz Crystal.
Álbuns remontariam à década de 1960
Segundo a narrativa, os álbuns remontariam à década de 1960 e poderiam incluir imagens de garotas que eram menores de idade quando foram fotografadas. Ainda assim, Crystal e Allred não confirmaram diretamente a existência de pornografia infantil no material.
A localização atual dos álbuns é incerta. Crystal afirma ter sido informada de que parte deles pode estar guardada em instalações privadas na Califórnia ou mesmo em residências particulares, onde haveria possibilidade de digitalização.
A advogada da viúva acrescenta que o diário pessoal de Hefner — com descrições íntimas de encontros sexuais, incluindo anotações sobre ciclos menstruais de parceiras — também pode estar sob posse da fundação. A CBS informou não ter recebido resposta da instituição até a tarde desta terça-feira.
A advogada afirma que pretende protocolar duas denúncias formais, uma na Califórnia e outra em Illinois, para provocar investigações pelos procuradores-gerais desses estados. Segundo ela, não há indícios de que as imagens tenham sido distribuídas sem consentimento, mas a eventual digitalização representa risco à privacidade em caso de ataque cibernético ou vazamento.
— Fomos informados de que estão digitalizando [as fotos], mas não há planos de distribuí-las. Se estão digitalizando, o que pode não ser ilegal, o que pretendem fazer com elas? — questiona.
Ao ser perguntada se a destruição dos álbuns seria o objetivo final, Allred respondeu que ela e Crystal Harris “não são contra” essa possibilidade, mas ressaltou que a prioridade imediata é garantir que o material não seja divulgado.