Trump diz que María Corina Machado 'é uma mulher gentil, mas não inspira respeito' para governar Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que a Nobel da Paz e líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, não conta "com o apoio nem o respeito" necessários para governar seu país. A declaração do líder republicano foi feita em primeiro pronunciamento oficial sobre a ação militar realizada horas antes no território venezuelano, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
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— Acho que seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país. É uma mulher muito gentil, mas não inspira respeito — declarou o presidente americano em uma coletiva de imprensa em sua residência na Flórida.
Em seu pronunciamento, Trump declarou que os americanos irão permanecer na Venezuela e "essencialmente comandar o país" até que uma transição política ocorra. Questionado se tinha tido contato com a opositora, que há meses apoia a pressão militar dos Estados Unidos, Trump respondeu negativamente.
Trump e Maduro
AFP
O presidente americano afirmou anunciou ainda que empresas americanas retomarão suas posições na indústria de petróleo da Venezuela — que passou por um processo de nacionalização há mais de duas décadas —, ameaçando um novo ataque.
A menção à interferência americana até uma transição política em Caracas ocorreu logo no início do pronunciamento inicial. Questionado após a abertura para perguntas sobre quem iria governar o país, Trump afirmou que o governo americano designaria nomes para tratarem diretamente do assunto, e sugeriu que conversas entre autoridades americanas e venezuelanas já estariam em curso.
— É o que está acontecendo agora. Estamos designando pessoas, falando com pessoas. Vocês ficarão sabendo. — disse Trump, acrescentando que o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o general Dan Caine, chefe do Estado-maior conjunto, que o acompanharam na coletiva, estariam diretamente nesta operação.
Ainda de acordo com o presidente americano, as autoridades estariam observando nomes dentro da Venezuela, incluindo militares do país, para coordenar o processo de transição política. Ele evitou se referir diretamente aos possíveis líderes de um governo de transição, mas ao ser questionado sobre o papel da vice-presidente Delcy Rodríguez, afirmou que ela teria mantido contato com Rubio mais cedo.
Mensagem María Corina Machado aos venezuelanos no X
Reprodução
Pouco antes, María Corina havia publicado uma nota em suas redes sociais reivindicando que seu aliado, Edmundo González Urrutia, assumisse "imediatamente" a Presidência do país.
"Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem", escreveu em nota publicada em seu perfil no X.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, participa de comício em Caracas em 2024
Pedro Rances Mattey / AFP
Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista. Apesar da vitória de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, alegando que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.
Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos. Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro fugiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.
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