O que é o ‘Método Pintus’ no futebol? Real Madrid faz treinamento com 'super máscaras' de alta tecnologia avaliadas em R$ 185 mil
A resposta para os treinos físicos intensos do Real Madrid passa por dois elementos centrais: o preparador físico Antonio Pintus e o uso das máscaras K5, equipamentos que mais lembram acessórios de mergulho em águas profundas do que itens comuns no futebol profissional.
Time escocês apura uso de quartos de fisioterapia para encontros de jogadores com prostitutas; entenda
NBA: Gui Santos decide no fim, faz melhor jogo da temporada e comanda virada do Warriors; veja vídeo
De acordo com o The Athletic, as máscaras fazem parte do chamado “Método Pintus”, já consolidado no clube espanhol. Não é a primeira vez que o elenco passa por sessões desse tipo e, enquanto o preparador italiano estiver no comando da preparação física, dificilmente será a última. Em 2023, um jogador chegou a brincar, chamando Pintus de “diabo”, em referência à exigência extrema dos treinos.
Tecnologia de ponta para medir o limite físico
O Real Madrid utiliza as máscaras K5, produzidas pela empresa italiana Cosmed, para coletar dados detalhados sobre a capacidade aeróbica dos atletas durante exercícios de alta intensidade. O equipamento tem design anatômico, vedação precisa e é fixado à cabeça com tiras. Durante os testes, os jogadores também usam uma pequena mochila que transmite, em tempo real, os dados coletados para computadores ou tablets da comissão técnica.
Cada conjunto — máscara e sistema de transmissão — custa cerca de US$ 35 mil, o equivalente a R$ 184,8 mil, considerando a cotação do dólar a R$ 5,28. O clube possui várias unidades em seu centro de treinamento, mas, quando avalia todo o elenco simultaneamente, costuma recorrer ao empréstimo de equipamentos de empresas especializadas.
Initial plugin text
Embora mais comuns em esportes como natação, atletismo, remo e ciclismo, essas máscaras já foram adotadas por alguns clubes de futebol, como Bayern de Munique, São Paulo e o Tigres.
Por que treinar assim?
As máscaras permitem medir, com precisão, a potência e a capacidade aeróbica máxima dos jogadores durante testes de resistência realizados no próprio gramado. Os atletas correm de um lado a outro do campo, com o ritmo aumentando em intervalos programados até atingirem o limite físico.
Enquanto muitos clubes preferem testes em laboratório ou esteiras, Pintus opta pelo ambiente de jogo. Os dados coletados orientam a programação física dos meses seguintes, permitindo ajustes individualizados e coletivos na carga de treino.
Pintus, hoje com 63 anos, trabalha com esse tipo de metodologia desde os anos 1990, quando passou pelo Monaco. No Real Madrid, sob o comando de Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti, o elenco realizou esses testes duas vezes por temporada. Após avaliações em 2021-22, houve maior foco em explosão física — e o clube terminou a temporada campeão europeu.
— É um método confiável e muito interessante para avaliar a condição física dos jogadores, afirmou uma fonte do clube ao The Athletic, sob condição de anonimato.
Já sob o comando de Xabi Alonso, o uso das máscaras foi mais pontual. A comissão técnica da época considerava a aplicação do método limitada para uma equipe que atua duas vezes por semana, priorizando treinos com bola, simulações de jogo e movimentos específicos, como aceleração, desaceleração e mudanças de direção.