Universidade Columbia sanciona 80 alunos por protestos contra guerra em Gaza
A Universidade Columbia sancionou cerca de 80 estudantes que participaram de um protesto contra a guerra de Israel em Gaza em maio, em meio à ofensiva conduzida pelo governo de Donald Trump contra o que considera antissemitismo nos campi, informou nesta terça-feira uma coalizão de estudantes pró-palestinos.
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Segundo o grupo que promoveu os protestos, o Columbia University Apartheid Divest (Cuad), que defende que a universidade rompa seus vínculos com Israel, cerca de 80 alunos serão suspensos por um a três anos ou expulsos por participarem da invasão da biblioteca Butler do campus em maio.
Esta universidade americana de elite anunciou que sua junta judicial determinou na segunda-feira as sanções pelas ações na biblioteca e em outro evento na primavera de 2024.
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A instituição de ensino não revela o número de estudantes afetados nem as punições específicas, mas elas podem variar desde a expulsão ou suspensão de um a três anos até a revogação de títulos, de acordo com um comunicado.
Cerca de 80 estudantes foram detidos após invadirem a biblioteca, apesar das medidas adotadas por Columbia para evitar protestos no campus após os distúrbios do ano passado que se espalharam por várias universidades do país.
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"As interrupções das atividades acadêmicas constituem uma violação das políticas e normas da Universidade, e tais violações necessariamente acarretarão consequências", explicou em seu comunicado.
Essas medidas ocorrem após o governo Trump anunciar em março um corte de US$ 400 milhões (R$ 2,25 bilhões) em subsídios e contratos federais para pesquisa na instituição, além da ameaça subsequente de retirar seu credenciamento como punição por sua passividade no combate ao que classifica como antissemitismo no campus.
Manifestantes pró-Palestina durante protesto no campus de Morningside Heights da Universidade Columbia
Bing Guan/The New York Times
Columbia aceitou implementar uma série de reformas na tentativa de recuperar os fundos federais. A universidade já havia tomado medidas disciplinares similares em março devido aos protestos pró-palestinos do ano passado.
Grande defensor de Israel, o presidente republicano acusa de antissemitismo várias universidades americanas de renome, como Columbia e Harvard, por permitirem em suas instalações movimentos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza.
Além de punir as instituições, o governo também perseguiu estudantes estrangeiros que participaram dos protestos, como Mahmoud Khalil, detido por mais de três meses com vistas à deportação, apesar de Khalil ter residência legal nos Estados Unidos. Ele foi libertado em 20 de junho por ordem judicial.