Meta diz que punir empresas de tecnologia dos EUA seria 'autodestrutivo' para a Europa
Um executivo da Meta alertou nesta quarta-feira que seria “autodestrutivo” para a União Europeia atingir empresas de tecnologia americanas como retaliação à ameaça de Washington de impor tarifas a países que se oponham a uma eventual anexação da Groenlândia.
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— Acho que seria especialmente autodestrutivo para a Europa mirar as empresas de tecnologia — afirmou Joel Kaplan, diretor de assuntos globais da Meta, controladora do Facebook, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
No encontro, espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, volte a defender que o país assuma o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. O alerta de Kaplan ocorre num momento em que países da União Europeia discutem como responder às ameaças de tarifas ou a uma tentativa dos Estados Unidos de tomar a Groenlândia pela força.
Empresas americanas de tecnologia ocupam posição dominante em vários mercados europeus, como os de smartphones, redes sociais e serviços de computação em nuvem. Por isso, alguns países do bloco avaliam ificultar o acesso desses gigantes ao mercado europeu.
— Milhões de pequenas empresas dependem dos nossos serviços para alcançar clientes, expandir seus negócios e gerar empregos na Europa. Isso só levaria a uma espiral ainda maior de retaliações, prejudicial para todos — disse Kaplan.
Ele reconheceu, no entanto, que “os governos europeus terão de tomar suas próprias decisões sobre o que consideram melhor para a população e para a economia do continente”.
Também nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu aos europeus que evitem uma “reação instintiva” e se sentem com Trump em Davos para ouvir seus argumentos sobre a Groenlândia.
Enquanto isso, autoridades europeias começaram a discutir a possibilidade de acionar o chamado mecanismo anticoerção da UE — a ferramenta comercial mais poderosa do bloco, por vezes chamada de “opção nuclear” ou “bazuca”.