Bastidores: Botafogo atrasa pagamentos, vê transfer ban se arrastar e pode emprestar reforços
A punição do transfer ban não é a única dor de cabeça relacionada a problemas financeiros aos quais o Botafogo está submetido. Além disso, a diretoria da SAF tenta regularizar os vencimentos dos jogadores, que estão atrasados. O pagamento de direitos de imagem está irregular há um mês, enquanto o FGTS está em atraso há três meses. Internamente, membros da alta cúpula alvinegra correm contra o tempo para acertar principalmente o fundo de garantia, pois haveria a possibilidade de os atletas acionarem a justiça em busca de uma rescisão contratual unilateral.
A ideia é utilizar parte dos R$ 37 milhões que serão recebidos à vista pela venda de David Ricardo ao Dínamo Moscou-RUS para honrar os compromissos com os atletas do elenco. Mesmo com os pagamentos atrasados, os jogadores do Botafogo concentraram normalmente para a partida da última quarta-feira contra o Volta Redonda, vencida por 1 a 0 com gol de Montoro.
Por outro lado, nos bastidores, membros da diretoria da SAF do Botafogo já não estão mais tão otimistas em relação à resolução do transfer ban. Há o entendimento de que a negociação com o Atlanta United, da MLS, outrora dada como avançada, pode levar meses para ser solucionada.
Uma das dificuldades que o departamento jurídico do Botafogo tem enfrentado é apresentar as garantias financeiras necessárias ao Atlanta United, à liga americana e à Fifa. Um dos motivos para isso é que o aporte de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 268 milhões) sinalizado por John Textor, e que seria utilizado para pagar aos americanos, não caiu nos cofres alvinegros até o momento. A ideia era que uma parte da transferência fosse feita até o final da semana passada, mas isso não se concretizou.
Fontes da Eagle Football Holdings (EFH) ouvidas pela reportagem indicam que todos os documentos para a realização do aporte já foram apresentados, mas ainda não foram aprovados pela Ares Management, uma das principais credoras da EFH. Pessoas envolvidas no processo avaliam que isso pode acontecer "a qualquer momento", já que a empresa não teria motivos para bloquear a entrada do dinheiro e prejudicar a SAF, mas há também quem vislumbre outros caminhos.
Incertezas atrapalham planos para o futebol
Um desses caminhos seria o empréstimo dos zagueiros Riquelme e Ythallo e do atacante Lucas Villalba. Os três foram contratados nesta janela de transferências enquanto o Botafogo já estava punido com o transfer ban, pois a expectativa era de que a resolução fosse rápida, o que não aconteceu. Com o cenário pessimista sendo cada vez mais visto como o mais realista, cresce a possibilidade do trio ser emprestado.
Por outro lado, o Botafogo "congelou" as vendas de jogadores que já estão no elenco à disposição do técnico Martín Anselmi. Primeiro, pela possibilidade do clube não conseguir inscrever reforços nesta janela de transferências, o que aumentaria a lacuna técnica de alguns setores da equipe. Depois, porque há o entendimento de que as negociações de Marlon Freitas ao Palmeiras, David Ricardo ao Dínamo Moscou e Savarino ao Fluminense foram suficientes para dar o equilíbrio interno necessário à SAF.
Também estão travadas as conversas para as chegadas de novos jogadores. O departamento de futebol chegou a se reunir com representantes do atacante Enso González, do Wolverhampton, e tem um acerto informal para a contratação de Cristian Medina, do Estudiantes. Além disso, há o interesse em repatriar Cuiabano, que está atualmente no time B do Nottingham Forest. No entanto, com todo o panorama de incertezas, o objetivo tem sido arrumar a parte interna enquanto John Textor e seus pares buscam a solução externa, o que não tem prazo para acontecer.
Procurada oficialmente, a SAF do Botafogo ainda não respondeu a reportagem do GLOBO.