Justiça dos EUA abre investigação sobre viúva de mulher morta pelo ICE em Minneapolis, enquanto atirador não é alvo
Autoridades federais dos Estados Unidos abriram uma investigação sobre Rebecca Good, viúva de Renee Good, morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) durante uma abordagem em Minneapolis, no dia 7 de janeiro. A apuração, segundo fontes ouvidas pela NBC News, busca esclarecer se Rebecca teria interferido na ação policial nos momentos que antecederam o disparo fatal.
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Renee Good, de 37 anos, foi baleada três vezes através da janela do carro após se recusar a sair do veículo. O agente envolvido, Jonathan Ross, efetuou os disparos enquanto tentava convencer a motorista a deixar o automóvel. Imagens que circularam nas redes sociais mostram Rebecca com dificuldade para abrir a porta do carro e, em seguida, dizendo à esposa para “dirigir”, enquanto agentes do ICE se aproximavam.
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Pressões políticas e reação no Ministério Público
De acordo com a imprensa local, o foco da investigação recai sobre os laços de Rebecca com grupos ativistas e sobre sua atuação no protesto do qual o casal participava como observador legal. Testemunhas relataram que, segundos antes do tiroteio, Rebecca confrontou agentes federais. O advogado da família, no entanto, afirmou à NBC News que não houve qualquer contato do FBI ou de autoridades federais indicando que Rebecca seja formalmente alvo da investigação.
A condução do caso provocou uma crise interna no Ministério Público. Pelo menos seis procuradores federais em Minnesota pediram demissão após receberem ordens para investigar Rebecca Good. Entre eles está Joe Thompson, ex-procurador interino dos EUA no estado. O governador de Minnesota, Tim Walz, criticou duramente a medida e afirmou que “a única pessoa que não está sendo investigada pelo disparo contra Renee Good é o agente federal que atirou nela”.
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Walz também se manifestou nas redes sociais sobre a saída de Thompson, classificando-a como “uma grande perda” e acusando o governo de Donald Trump de afastar servidores de carreira do Departamento de Justiça. Trump já havia descrito o casal como “agitadores profissionais”, enquanto a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou as ações de Good como “terrorismo doméstico”.
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STEPHEN MATUREN/AFP
Além de Rebecca, o Departamento de Justiça abriu investigações contra o próprio governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, sob a alegação de que declarações públicas teriam obstruído a atuação de agentes federais. Um memorando enviado em dezembro pela procuradora-geral Pam Bondi, segundo relatos, orientou promotores a enquadrar integrantes de grupos com “plataforma antifascista” em crimes como obstrução de agentes federais — delito que pode resultar em até 20 anos de prisão quando envolve o uso de arma letal, conforme a Faculdade de Direito da Universidade Cornell.
Enquanto isso, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que “no momento não há fundamento” para investigar o agente Jonathan Ross. Fontes ouvidas pelo The New York Times indicam que a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça não abriu inquérito para apurar eventual violação de direitos federais no caso, tornando “cada vez menos provável” que Ross enfrente acusações criminais.