Opositor russo Alexei Navalny foi morto com veneno de rã rara do Equador, conclui investigação de países europeus
O líder opositor russo, Alexei Navalny, morto em 2024 sob custódia do sistema prisional russo em circunstâncias ainda não esclarecidas, foi assassinado pelo Estado russo por envenenamento com uma toxina rara, presente na pele de uma rã nativa do Equador. A conclusão foi apresentada por cinco países europeus neste sábado, segundo uma investigação divulgada em um encontro à margem da Conferência de Segurança de Munique, principal evento do gênero em solo europeu.
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"Sabemos que o Estado russo utilizou esta toxina letal para atacar Navalny por medo de sua oposição", aponta um comunicado conjunto assinado por Alemanha, França, Holanda, Reino Unido e Suécia, que faz referência a uma "análise de amostras" do corpo do opositor russo — outrora considerado o maior rival do presidente Vladimir Putin internamente.
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A toxina epibatidina, presente na pele de rãs-flecha, foi identificada nas amostras analisadas e "muito provavelmente causou a morte [de Navaln]", segundo o comunicado. Os países europeus à frente da denúncia afirmam que "apenas o Estado russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade de utilizar esta toxina letal para atacar Navalny durante seu encarceramento" na Sibéria.
Crítico ferrenho de Putin, Navalny morreu em circunstâncias misteriosas em uma prisão no Ártico em fevereiro de 2024, enquanto cumpria uma pena de 19 anos de prisão. A esposa do líder opositor, Yulia Navalnaya, disse em setembro passado que a análise laboratorial de amostras biológicas concluiu que ele foi envenenado.
— Há dois anos [...] subi ao palco e disse: "Vladimir Putin matou meu marido" — disse Yulia neste sábado. — Hoje essas palavras se tornaram um fato demonstrado cientificamente.
A secretária de Estado britânica para Relações Exteriores, Yvette Cooper, que se reuniu com Navalnaya, emitiu um comunicado, no qual disse que as revelações da investigação lançam luz sobre "o bárbaro complô do Kremlin para silenciar" a oposição.
Os países afirmaram ter denunciado a Rússia perante a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), e demonstraram preocupação com o fato de "a Rússia não ter destruído todas as suas armas químicas".
Navalny já havia sido envenenado anteriormente com o agente nervoso Novichok em 2020, enquanto fazia campanha na Sibéria. Na época, ele foi levado para a Alemanha, onde passou meses em tratamento. O carismático ativista anticorrupção mobilizou centenas de milhares de pessoas em toda a Rússia em protestos contra o Kremlin. (Com AFP)