Cardeal dos EUA acusado de encobrir escândalo de abusos sexuais participará de ritual de enterro do Papa Francisco
Roger Mahony, de 89 anos, foi dispensado de todas as suas funções oficiais em 2013 por ocultar casos de pedofilia nos anos 1980 Um cardeal americano acusado de ter encoberto centenas de casos de abuso sexual de menores cometidos por padres pedófilos foi listado como participante oficial nas cerimônias de lacração do caixão do Papa Francisco e de seu sepultamento. Roger Mahony, arcebispo emérito de Los Angeles, nos Estados Unidos, está entre o grupo de nove cardeais e um pequeno número de padres e bispos que participarão dos ritos que incluem o enterro do Pontífice na Basílica de Santa Maria Maior.
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Mahony, de 89 anos, aposentou-se como arcebispo em 2011. Dois anos depois, em 2013, foi dispensado de todas as suas funções oficiais na arquidiocese – embora essas funções não tenham sido especificadas, publicou a CNN americana. Ainda assim, o cardeal está listado como participante das cerimônias com o título de “cardeal-presbítero”, uma das categorias dentro do Colégio dos Cardeais, que também inclui os “cardeais-diáconos” e os “cardeais-bispos”.
Mahony ocupa uma posição sênior entre os cardeais-presbíteros, já que está entre os que estão há mais tempo no posto. Os poucos que o superam em tempo de serviço já têm mais de 90 anos e, segundo a rede americana, não puderam comparecer. Outros cardeais que participarão das cerimônias incluem Giovanni Battista Re, decano do Colégio dos Cardeais; Pietro Parolin, cardeal-bispo e secretário de Estado do Vaticano; e Dominique Mamberti, o “protodiácono” que anunciará ao mundo quando um novo Papa for escolhido.
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Essa não é a primeira vez que a participação de Mahony em um momento de transição papal gera controvérsia. Antes do conclave de 2013 que elegeu Francisco, uma petição foi assinada em Los Angeles pedindo que ele não participasse do rito. Na época ele havia sido proibido, apenas alguns meses antes, de falar em público. Ele também teve algumas de suas prerrogativas como bispo retiradas, como a possibilidade de administrar o sacramento da confirmação ou de ordenar sacerdotes.
Mahony, que liderou a arquidiocese de Los Angeles entre 1985 e 2011, pediu desculpas diversas vezes pela forma como lidou com casos de abuso sexual. Em 2013, documentos internos da Igreja revelaram que, nos anos 1980, ele e seu vigário para o clero deixaram de remover padres acusados de abuso e não colaboraram com as autoridades. Seu sucessor, o arcebispo José Gomez, afirmou em 2013 que Mahony “não teria mais nenhuma função administrativa ou pública” em Los Angeles.
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O escândalo de abuso sexual clerical resultou em indenizações históricas pela arquidiocese de Los Angeles. Em 2007, foram pagos US$ 660 milhões (R$ 3,4 bilhões atualmente) a 508 vítimas, e no ano passado outros US$ 880 milhões (R$ 5 bilhões) a 1.353 sobreviventes em casos que remontam a décadas. Mahony também foi acusado de má conduta na condução do caso de um padre abusador quando era bispo de Stockton.
À CNN, a Arquidiocese de Los Angeles descreveu, na quinta-feira, o papel oficial de Mahony nas cerimônias como uma bênção, declarando:
“O cardeal Mahony é nosso arcebispo emérito. Ele se aposentou em 2011 como arcebispo de Los Angeles e continua seu ministério em nossa arquidiocese como arcebispo aposentado. Ele sempre esteve em plena comunhão. Somos abençoados por ter o cardeal Mahony representando nossa arquidiocese em Roma, no funeral de nosso Santo Padre e na eleição de nosso novo Papa”.