Um mês do confronto mais letal da história do país: relembre em fotos e vídeos a megaoperação na Penha e no Alemão e a repercussão do caso
Nesta sexta-feira, completa-se um mês da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, onde 122 pessoas morreram — 117 suspeitos e 5 policiais. A ação, organizada pela Polícia Civil do Rio, em parceria com a Polícia Militar, foi planejada para o cumprimento de mandados de prisão e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo chefes de outros estados escondidos naquela região. Após a ação, o Ministério Público do Rio e o Supremo Tribunal Federal passaram a investigar a alta letalidade policial com base na ADPF 635. Organizações não-governamentais e parentes dos mortos organizaram protestos, pedindo paz às comunidades do Rio. Relembra em fotos e vídeos como se deu a operação em 28 de outubro.
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A megaoperação nos complexos da Penha e Alemão começou por volta das 4h30 do dia 28 de outubro. Logo na chegada às comunidades, policiais encontraram diversas barricadas do tráfico em chamas
Fabiano Rocha/Reprodução
A resistência dos criminosos à incursão policial chamou atenção dos próprios agentes. Os traficantes revidaram até as 20h, quando ainda era possível ouvir som de disparos
Ao menos 2.500 policiais participaram da megaoperação, incluindo os grupos de elite das policais Civil e Militar: a Core e o Bope, respectivavement
Fabiano Rocha / Agência O Globo/ 28/10/2025
Além dos cinco policiais mortos, outros 15 ficaram feridos durante a megaoperação
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Imagens mostram cenários de guerra na megaoperação no Rio
Relatório encaminhado ao STF sobre megaoperação no Alemão e na Penha mostra novos dados sobre prisões e apreensões
Na megaoperação, 100 criminosos foram presos, entre eles o Thiago do Nascimento Mendes, o Belão, considerado braço direito de Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como uma das principais chefes do Comando Vermelho (CV) na região
Guito Moreto/28-10-2025
Um documento do governo do Rio enviado ao STF expôs que 96 fuzis foram apreendidos na megaoperação
Mauro Pimentel/AFP
Retaliações dos criminosos e a cidade refém
Ainda no dia 28 de outubro, a cidade do Rio entrou no estágio 2 do nivelador de risco adotado pelo Centro de Operações da prefeitura. Este nível de atenção é atingido quando "há risco de ocorrência de alto impacto" na cidade, de um total de cinco estágios. A medida foi tomada após interdições que impactam diversas vias da cidade, em retaliação de criminosos à megaoperação policial. Vias no entorno dos complexos do Alemão, Penha, Chapadão, São Francisco Xavier, na Zona Norte, Freguesia (Jacarepaguá) e Taquara, na Zona Sudoeste, passaram por interdições temporárias em função de ocorrências policiais. Segundo a Rio Ônibus, mais de 100 linhas tiveram os itinerários alterados.
Naquele dia, 204 linhas foram afetadas e mais de setenta coletivos foram usados como barricadas após a megaoperação
Marcelo Theobald
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Com a interrupção no funcionamento dos ônibus, pontos de embarque para outros modais da cidade ficaram lotados, como a Central do Brasil, composta por estações de trem e metrô
Foto Alexandre Cassiano
Em reação orquestrada, ônibus foram sequestrados para bloquear ruas em todas as regiões da cidade, da Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, às ruas do Riachuelo, no Centro, Dias da Cruz, no Méier, e das Laranjeiras, no bairro de mesmo nome. Os transtornos se estenderam à Região Metropolitana, atingindo Caxias e São Gonçalo
Foto: reprodução
Corpos retirados da mata e levados para praça no Complexo da Penha
Ao menos 60 corpos foram localizados após a megaoperação na região conhecida como Mata da Vacaria, na Vila Cruzeiro, uma das favelas do Complexo da Penha. Boa parte do confronto no dia 28 se concentrou nessa área que, segundo a secretaria de Segurança Pública, era usada por traficantes. Os mortos começaram a ser retirados durante a madrugada pelos próprios moradores e foram expostos na Praça São Lucas, ponto central da comunidade.
A remoção dos corpos foi feita também por adolescentes, e crianças chegaram a ajudar nas buscas
Eduardo Anizelli/Folhapress
Expostos na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, os corpos foram sendo removidos, de quatro e quatro, por rabecões do Corpo de Bombeiros e levados posteriormente para o IML
Gabriel de Paiva
Ao todo, 117 criminosos foram contabilizados como mortos. Parte deles era de pessoas de outros estados que estavam escondidos na Penha
Márcia Foletto
Parentes dos mortos se reuniram na Praça São Lucas para fazer o reconhecimento. Muitos eram filhos e maridos
Fabiano Rocha / Agência O Globo
Vídeo mostra local em que corpos foram enfileirados na Penha
A Mata da Vacaria, na verdade, é uma extensa pedreira abandonada e cercada por Mata Atlântica. Ela liga os complexos da Penha e do Alemão
Márcia Foletto
O drama dos familiares no IML
Para acelerar o reconhecimento no IML, uma força-tarefa foi organizada por peritos, que trabalharam até fora do sistema de plantão. Por ao menos quatro dias, o instituto ficou lotado de parentes, que aguardaram até a noite para poder fazer a liberação dos corpos. Dois deles, no entanto, apesar de terem sido liberados, não foram reconhecidos formalmente no IML, pois, em vida, não tinham registrado digital em nenhum órgão público.
Todos os corpos foram levados para o IML no dia 29. Inicialmente, alguns chegaram a ficar na parte externa do prédio, até que houvesse lugar para armazená-los
Cesar Sales
Karen Beatriz esteve no IML para fazer o reconhecimento do companheiro. Ela estava grávida de um mês do rapaz
Marcia Foletto/ Agência O GLOBO
Raquel Rodrigues (ao centro) é amparada por outras mães, na porta do IML, ao reconhecer o filho Yago Ravel Rodrigues Rosário, morto durante a megaoperação do Rio
Leo Martins / Agência O Globo
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Leo Martins / Agência O Globo
Protesto de parentes de mortos em megaoperação no Rio fecha via em frente ao IML
As reações políticas, jurídicas e sociais
No dia 30 de outubro, o Governo do Brasil anunciou a criação de um escritório emergencial de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. Na ocasião, foram debatidas repercussões da megaoperação no Complexo da Penha. O grupo, comandado pelo secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Cesar Santos, e pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, articulou a recrutação de peritos criminais da União e aumento do efetivo da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal, ambas no Rio.
O governador do Rio, Claudio Castro (centro), e o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (esq.) em uma reunião no Palácio Guanabara após a operação policial com o maior número de mortes do estado
Pablo Porciúncula/AFP
Ministro Alexandre de Moraes, o governador Cláudio Castro e o secretário de Polícia Militar Marcelo Menezes
Divulgação / Philippe Lima
Castro se reúne com Moraes no Rio
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Manifestantes protestam contra a violência policial de megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão
Marcelo Theobald/ Agência O Globo
Próximos passos. Em entrevista concedida no Palácio Guanabara, Castro falou sobre as prioridades do seu governo daqui para frente na ação contra grupos criminosos no estado
Gabriel de Paiva
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Missa que homenageou policias mortos em megaoperação
Divulgação/Gov RJ
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Divulgação/ Governo do Estado
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