Preso na Inglaterra, príncipe Andrew passou pelo Brasil, visitou Lula, foi chamado de rude e criticou cover dos Beatles
Detido nesta quinta-feira, 19, no dia em que completa 66 anos, o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, investigado por ligações com o caso Jeffrey Epstein, teve uma passagem pelo Brasil cercada de polêmicas. Em 2007, durante visita oficial como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional e Investimentos, ele esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumpriu agenda no Rio, em Brasília e em São Paulo, e deixou uma impressão negativa na capital paulista.
Entenda: Entre visitas a hospitais e escolas, ‘Superman brasileiro’ é recebido por rei em Gana
Miss Universe Brasil: Candidatas passarão por imersão inédita de preparação para concurso com aulas em resort
O episódio brasileiro ganhou destaque anos depois na biografia Entitled: The Rise and Fall of the House of York, que traça um retrato pouco lisonjeiro do filho da rainha Elizabeth II. No livro, a passagem por São Paulo é descrita como um exemplo do comportamento considerado arrogante do duque.
Em abril daquele ano, Andrew participou da inauguração do 11º Cultura Inglesa Festival, no Centro Brasileiro Britânico, em Pinheiros. Segundo relato presente na biografia, ele teria ignorado a anfitriã responsável por recebê-lo, Norinka Ford. De acordo com o livro, o príncipe manteve-se inexpressivo, não se dirigiu a ela nem à pessoa sentada ao seu lado, criando um clima constrangedor.
O momento mais comentado, porém, envolveu a apresentação musical da noite. A banda Os Britos — formada por músicos ligados a grupos como Barão Vermelho e Kid Abelha — apresentou covers dos The Beatles. Conforme o relato da obra, Andrew teria sido "rude e cruel" ao comentar que o grupo “deveria se limitar a tocar música brasileira”.
Ainda segundo o livro, o duque deixou o evento de maneira repentina, sem cumprimentar celebridades e convidados que aguardavam para conhecê-lo. Ele teria se levantado abruptamente e se dirigido à saída, forçando sua equipe, o embaixador britânico e os seguranças a correr para organizar a partida. A anfitriã ficou encarregada de conter o constrangimento entre os presentes.
Em trecho da biografia, Norinka Ford afirma que o comportamento do príncipe dava sinais de como ele reagia quando algo lhe parecia entediante ou desinteressante: simplesmente ignorava, sem se preocupar com o impacto sobre os demais.
O livro traz ainda outras descrições negativas sobre Andrew, retratado por fontes como “arrogante”, “preguiçoso”, “burro” e “mimado”.
Visita ao Brasil
Na agenda do ex-príncipe em 2007, estava registrada uma visita para conhecer as instalações da Wellstream, em Niterói. A empresa britânica, que fabrica tubos flexíveis para o setor de offshore, investiu R$ 180 milhões no país. No dia seguinte, Andrew visitou unidades da Petrobras em Macaé, onde foi apresentado às atividades da estatal na Bacia de Campos. O príncipe ainda se encontrou com empresários britânicos na cidade. O príncipe veio ao Brasil a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Prisão na Inglaterra
O episódio de 2007 volta à tona no momento em que Andrew enfrenta um escândalo. Ele foi detido pela manhã na propriedade de Wood Farm, em Sandringham, no condado de Norfolk. A ação ocorreu no âmbito de investigação ligada a desdobramentos do caso Epstein.
De acordo com a polícia, a prisão foi realizada sob suspeita de má conduta em cargo público. Seis carros descaracterizados e cerca de oito agentes à paisana participaram da operação.
Nota da polícia na íntegra
"Como parte da investigação, hoje (19/2) prendemos um homem na casa dos sessenta anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público, e estamos realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk.
"O homem permanece sob custódia policial neste momento.
"Não divulgaremos o nome do homem preso, conforme as diretrizes nacionais. Lembre-se também de que este caso está agora em andamento, portanto, deve-se ter cuidado com qualquer publicação para evitar desacato ao tribunal.
"O chefe assistente de polícia Oliver Wright disse: 'Após uma avaliação minuciosa, agora abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público.
'É importante que protejamos a integridade e a objetividade de nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar essa suposta infração.
'Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento apropriado.'"