hilda hilst bot
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trechos das obras de hilda diariamente

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Enquanto tu morrias, Ehud, minha carne era tua, e disciplina e ascese tudo que me pretendi para livrar o coração de um fogo vivo, ah, inútil inútil os longos exercícios, a fome do teu toque ainda que me recusasse (...) Enquanto tu morrias eu te abraçava numa fúria alagada (...)
January 4, 2026 at 12:06 AM
Compre meia dúzia de cerejas, um copo de creme de leite (...) cem gramas de nozes já descascadas, um cálice de Cointreau (...) Ponha todos os ingredientes no liquidificador, acondicione corretamente nessas pequenas geladeirinhas portáveis e viaje para a Grécia. Tá na hora.
January 3, 2026 at 8:27 PM
E posso me ferir no gelo das espadas se me quiseres banhada de vermelho.
January 3, 2026 at 6:03 PM
Tão doce morrer em vida, tão triste viver em vão.
January 3, 2026 at 4:01 PM
Stela, me perguntaram se permaneces no tempo. Se teu rosto de coral e teus cabelos de pedra ficarão indefinidos no espaço, pedindo sol.
January 3, 2026 at 12:03 AM
Desamparo, Abandono, desde sempre a alma em vaziez, buscava nomes, tateava cantos, vincos, acariciava dobras, quem sabe se nos frisos (...) nos visíveis cotidianos, no ínfimo absurdo, nos mínimos, um dia a luz, o entender de nós todos o destino, um dia vou compreender (...)
January 2, 2026 at 10:09 PM
Tínhamos discussões intermináveis. Eu lhe mostrava meus textos e ele dizia: tu não tens fôlego, meu chapa, tudo acaba muito depressa, tu não desenvolve o personagem, o personagem fica por aí vagando, não tem espessura, não é real.
January 2, 2026 at 8:09 PM
Enquanto choras há lá fora um canto que de chorares tanto não o sabes.
January 2, 2026 at 6:26 PM
Que eu morra olhando as alturas. E que a chuva no meu rosto faça crescer tenro caule de flor (ainda que obscura).
January 2, 2026 at 4:05 PM
(...) paixão é isso. é não saber por quê.
January 2, 2026 at 12:05 AM
Disseram-me os amigos que Saturno se refaz este ano.
January 1, 2026 at 10:03 PM
Pra onde vão os trens meu pai? Para Mahal, Tamí, para Camirí, espaços no mapa, e depois o pai ria: também pra lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti.
January 1, 2026 at 8:28 PM
E em sendo assim, amor, de que me adianta a mim, te dizer mais?
January 1, 2026 at 6:05 PM
Andei em direção oposta aos grandes ventos. Nos pássaros mais altos, meu olhar de novo incandescia.
January 1, 2026 at 4:13 PM
Beba, Amós. Esperança. Não arranque os frutos verdes.
January 1, 2026 at 12:01 AM
Quisera descansar as mãos como se houvesse outro destino em mim.
December 31, 2025 at 10:04 PM
O ano que vem, não vou desejar felicidades a ninguém.
December 31, 2025 at 7:59 PM
Quero sentar-me e ler mas o amigo me diz: o mundo não comporta tanta gente infeliz.
December 31, 2025 at 6:05 PM
É meu este poema ou é de outra? Sou eu esta mulher que anda comigo e renova a minha fala e ao meu ouvido se não fala de amor, logo se cala?
December 31, 2025 at 4:02 PM
Aprende como nós a aceitar a vida, é bom tudo isso, olha, enche os pulmões, não é bom? Respira, vamos começar o teu dia, primeiro te levantas (...) te lavas, não convém andar como tu andas, é boa a água, faz prodígios, gargareja com ela, limpa a garganta e serás compreendido.
December 31, 2025 at 12:10 AM
E se não fosse verão, e se não fosse o medo da sombra, e o medo da campa na escuridão, o medo de que por sobre mim surgissem plantas e enterrassem suas raízes nos meus dedos.
December 30, 2025 at 10:08 PM
Como desejei ter asas e algumas noites, para te reler, Jorge tão rei: “iam bem juntos, iam resolutos, / olhares cúmplices mas não impuros / andavam devagar, indissolutos / num vago andar feroz e quase inútil”.
December 30, 2025 at 8:01 PM
E lacerada eu mesma que jamais se perceba umas gotas de sangue na gravura.
December 30, 2025 at 6:04 PM
“Literatura para mim é paixão. Verdade. Conhecimento.” Matou-se logo depois. Um tiro trêmulo, a julgar pela trajetória inusitada: um raspão na raiz do nariz mas atingindo em cheio o olho esquerdo.
December 30, 2025 at 4:10 PM
(...) Porque para mim todo mundo é gente, o rato também é gente, ele tem medo frio fome, e também se alegra e fica triste como a gente. Um rato não tem muito mistério não, as pessoas não entendem que ser rato é tão simples e tão complicado como ser gente.
December 29, 2025 at 10:03 PM