Ministro da Saúde diz que preparou SUS para receber venezuelanos afetados por ataques dos EUA
Diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou ter preparado o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro para receber os impactos que o conflito no país vizinho resultará. Em mensagem em uma rede social, ele escreveu que o Brasil cuidará "de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro".
Padilha foi o primeiro integrante do primeiro escalão do governo brasileiro a se manifestar sobre os ataques do governo de Donald Trump à Venezuela. Uma reunião de emergência foi convocada na manhã deste sábado para discutir o ataque e a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a prioridade neste momento é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento público.
"Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, preparamos a nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para reduzirmos, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro. Que venha a PAZ! Enquanto isso, cuidaremos de quem precisar ser cuidado, em solo brasileiro", afirma Padilha.
Como mostrou a colunista Janaína Figueiredo, do GLOBO, o governo brasileiro cogitava a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos à Venezuela há várias semanas. Esse cenário levou inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a viajar até a Colômbia entre a Cúpula de Líderes de Belém e a COP30 para participar da reunião de chefes de Estado e altos representantes dos países que integram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), para defender que a América Latina continue sendo uma zona de paz. Essa mesma preocupação levou Lula a telefonar para Maduro nos primeiros dias de dezembro.
A fronteira entre Brasil e Venezuela tem pouco mais de 2 mil quilômetros de extensão, dividida entre os estados de Roraima (a principal passagem é entre Pacaraima-Santa Elena de Uairén) e Amazonas. Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.
Nos últimos meses, Lula vinha tentando atuar como um mediador na escalada da crise entre EUA e Venezuela. Em conversa com jornalistas em 18 de dezembro, o presidente brasileiro defendeu "diálogo" para que se evitasse uma "guerra fratricida" na região e disse que tentaria falar com Donald Trump sobre o assunto antes do Natal. Entretanto, não há informações de que a conversa de fato ocorreu.
O ataque à Venezuela foi anunciado por Trump por meio de uma rede social, em mensagem na qual disse que forças americanas realizaram um "ataque de grande escala" contra o país sul-americano e que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele não informou, no entanto, para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
Vídeos divulgados em redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
A crise diplomática entre os americanos e os venezuelanos vinha escalando nos últimos meses. O governo Trump já havia anunciado um bloqueio naval “total e completo” a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando a pressão sobre Caracas ao atingir diretamente o petróleo, principal setor de receita do país, e ampliando as medidas que Washington apresenta como parte de uma campanha contra tráfico de drogas.