Sindicato cobra investigação sobre segurança de brigadistas após incêndio no Shopping Tijuca
De acordo com Marcos Paulo, presidente do Sindicato dos Bombeiros Civis do Rio, a entidade vai pedir a realização de uma audiência pública com o objetivo de investigar as reais condições encontradas pelos brigadistas que atuavam no Shopping Tijuca na noite desta sexta-feira, quando um incêndio subsolo do centro comercial deixou dois profissionais da área mortos e três feridos.
Segundo Marcos, o sindicato foi informado que as vítimas haviam recebido treinamento de evacuação em outubro de 2025, ministrado por uma empresa credenciada pelo Corpo de Bombeiros, a C.M. Coutoflex. No entanto, ainda existem lacunas a serem esclarecidas sobre o ocorrido.
— Eram dois funcionários qualificados. Anderson, por exemplo, era conhecido na categoria por possuir grande experiência e excelência profissional. Então, queremos entender o que aconteceu no subsolo do shopping — afirmou Marcos Paulo.
Além do treinamento realizado há cerca de dois meses, o sindicato também teria informações de que os brigadistas contavam com equipamentos adequados, como cilindros de oxigênio e roupas de aproximação. Ainda assim, uma das hipóteses levantadas é de que, após o primeiro combate a um princípio de incêndio, as chamas tenham retornado com mais intensidade.
— Faz parte do papel do bombeiro civil combater o princípio de incêndio, mas, caso ele se agrave, o Corpo de Bombeiros Militar é acionado. Pelo conhecimento técnico de ambos os colegas, é difícil acreditar que o protocolo não tenha sido seguido. Por isso, a audiência pública também se faz necessária — completou.
Além da atuação dos profissionais, Marcos Paulo ressalta a importância de compreender as condições estruturais do edifício, como a existência de equipamentos adequados, rotas de entrada e saída e se houve suporte suficiente durante o processo de evacuação.
Incêndio em área de difícil acesso
Os bombeiros informaram que as chamas no Shopping Tijuca, na Zona Norte, tiveram início em uma área de difícil acesso, no subsolo do estabelecimento, provocando intensa concentração de fumaça. O trabalho de combate ao fogo, segundo a corporação, exigiu atuação técnica especializada, incluindo o emprego de equipamentos de proteção respiratória autônoma e de ventilação mecânica para dispersão dos gases e garantia da segurança das equipes. O incidente resultou em duas mortes e três feridos. A Polícia Civil identificou o supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes como os dois mortos no incêndio.
A Fundação Saúde informou que o SAMU da capital fluminense atendeu três pessoas no incêndio que atingiu o shopping Tijuca, na noite desta sexta-feira. Uma mulher de 23 anos foi levada para a UPA da Tijuca, onde foi atendida e liberada às 22h30. Os demais feridos são dois homens, que foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, cujos estados de saúde não foram informados.
Mais cedo, por meio de nota, o estabelecimento confirmou que o incêndio começou na loja Bellart, de materiais de decoração. O shopping disse ainda que equipe atuou prontamente para conter a situação e cumpriu o protocolo de emergência com a devida evacuação de visitantes e lojistas em segurança. Já alguns frequentadores relataram não ter ouvido alarme e também reclamaram da demora em receber orientações para que deixassem o local.
Uma frequentadora contou ter sido informada de que havia um princípio de incêndio na loja, localizada no subsolo, às 18h, mas só foi orientada a sair do shopping por volta das 19h. Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros informou que o quartel da Tijuca foi acionado às 18h28 para a ocorrência.
Nesta manhã, a corporação mobiliza cerca de 65 militares de 15 unidades operacionais, com o apoio de 22 viaturas. Os bombeiros informaram ainda que a ocorrência permanece em andamento e que, no momento, o incêndio encontra-se controlado, sem possibilidade de propagação. As equipes seguem fazendo o resfriamento do local.
As vítimas
No início da madrugada foi confirmada a informação de que duas pessoas morreram. Uma das vítimas fatais, o brigadista Anderson Aguiar do Prado foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde chegou sem vida.
A outra, a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, foi retirada de dentro do shopping sem vida por volta de 1h45 deste sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras e a primeira hipótese é de que a morte tenha acontecido por inalação de fumaça.