De motorista de caminhão a empresário: a história do fundador do Grupo Comporte, que vai assumir linhas de ônibus na Zona Oeste
A Comporte Participações S/A, que se interessou nesta sexta-feira em assumir a operação de linhas de ônibus da Zona Oeste do Rio em licitação organizada pela prefeitura é uma das maiores do setor de transportes do Brasil. Ela é uma holding formada não apenas por empresas de ônibus, mas opera linhas de Metrô e VLT. O grupo é administrado pela família Constantino, de Minas Gerais, que também foi uma das fundadoras da companhia Aérea Gol.
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Entre empresários do setor do Rio de Janeiro, existem comparações entre a origem do Grupo Comporte e do Grupo Guanabara, fundado pelo empresário Jacob Barata (1932- 1923) que por controlar as maiores empresas de transporte de passageiros do Rio de Janeiro foi apelidado de ''Rei do ônibus''. Para eles, o patriarca da família, Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê Constantino, tem 93 anos e seria uma espécie de ''Rei do Ônibus'' de Minas'.
A carreira de Nenê Constantino foi contada em um extenso perfil da Revista Veja, em 2000. O empresário que só cursou o primário, nasceu em Patrocínio, Minas Gerais. Filho de agricultuores, vendia verduras na rua quando comprou um caminhão que oferecia para fazer fretes Brasill afora. Em uma das viagens pelo Nordeste, trouxe de forma precária, num transporte conhecido como ''pau de arara'' retirantes do Nordeste para o Sul.
''O povo chegava com o dinheirinho no bolso e já me dava na hora. Eu passei a pensar: passageiro é melhor que carga, porque ele entra e sai sem eu pôr a mão nele. Achei a coisa melhor do mundo'', disse Constantino na entrevista para a Veja.
Na época da entrevista, o grupo tinha empresas de ônibus que operavam em sete estados, mais Distrito Federal e transporta cerca de 1,2 milhão de passageiros por dia.
Paraense, Jacob Barata começou a trabalhar como motorista de ônibus aos 18 anos, de uma linha de ônibus que fazia a ligação Madureira a Irajá. Logo em seguida comprou ando um vhevrolet de dez lugares e começou a fazer lotadas de passageiros entre a Zona Oeste e o Centro do Rio. Hoje o Grupo Guanabara é proprietária de cerca 20 empresas de ônibus, além de um banco, concessionárias, operadora de turismo, hotéis, drogarias, hospitais e imóveis. Uma delas, a Guanabara DIesel é a maior revenddora de chassis da Mercedes Benz do Brasil e forneceu a maioria das carrocerias compradas pela prefeitura do Rio para a modernização da frota de BRTs.
Além de empresas de ônibus, a Comporte Participações conglomerado incluin um site de venda de passagens pela internet, o Metrô de Belo Horizonte e o VLT de Santos. Em novembro de 2025, em São Paulo, o grupo assumiu o controle das operações da linha 7 Rubi que circula entre Palmeiras-Barra Funda e Jundiaí, em um trajeto de 57 quilômetros por meio da concessionária TIC Trens. Em parceria com a empresa chinesa CRCC. a concessionária Tic Trens se coprometeu em construir o Trem Intercidades (TIC), que deve fazer as viagens entre São Paulo e Campinas em 44 minutos, com velocidade de até 140 km/h, e passagem de R$ 64. O investimento previsto no projeto é de R$ 14,2 bilhões. A concessão é para explorar o serviço por 30 anos.
Essa foi a primeira licitção da prefeitura para escolher os novos operadores do sistema, o que só deve terminar em 2028. Os contratos atuais foram firmados em 2010, na primeira concorrência promovida pela cidade. O grupo Comporte Participações foi o única a apresentar propostas para os lotes de linhas locais de Campo Grande e Santa Cruz. Ainda não há data para assinatura dos contratos porque os documentos apresentados à prefeitura ainda estão em análise pela comissão de licitação. O edital prevê que a empresa terá que fornecer 366 veículos nas linhas , um aumento de 165% no tamanho da frota atual que conta com 199 carros.
A concessão é valida por dez anos, renováveis por mais dez. Um lote não encontrou interessados.
—Conseguimos atrair um grande grupo para entrar e operar no Rio de Janeiro. A avaliação é que o modelo que propusemos com garagens públicas e que prevê a remuneração de cada lote por quilômetro rodado fundametais para isso. Com a remuneração garantida por quilometragem, o risco da demanda (se as linhas vão transportar mais ou menos passageiros) é da prefeitura— disse a secretária municipal de Transportes, Maina Celidonio.
Maina ressaltou aida que os três lotes colocados na disputa previam a operação total de 512 coletivos. Desses, 366 ônibus (71,48%) foram atendidos pelos lotes que intreessaram a Comporte. Hoje, apenas 104 veículos circulam por essas áreas Segundo Maina, a prefeitura deve agendar uma nova licitação para o lote B1 depois de analisar se faz alguma alteração nas regras propostas.