Defesa diz que Daniel Vorcaro, do Banco Master, deixou a prisão
Após passar 12 dias preso, Daniel Vorcado, do Banco Master deixou há pouco o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos (SP), segundo sua defesa. Detido de forma preventiva, depois de a Polícia Federal suspeitar de uma possível tentativa de fuga por parte do empresário, Vorcaro deve usar tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas restritivas.
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O dono do Banco Master foi preso no último dia 18 pela PF, quando tentava embarcar em um avião no Aeroporto de Guarulhos para deixar o país. A operação, batizada de Compliance Zero, investiga indícios de fraudes em transações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). Além de Vorcaro, foram presos outros diretores e sócios do Master. O presidente do BRB foi afastado das funções.
As investigações da PF apontam que o Master pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões em falsas operações de crédito, simulações de empréstimos e negociação irregular de carteiras de crédito com outros bancos.
Em nota distribuída à imprensa no dia 22, a defesa de Vorcaro afirmou que “o fundamento das investigações” da PF “é um fato inexistente”. “Não há nenhuma fraude de R$ 12 bilhões”, diz o texto. “As medidas cautelares autorizadas pela Justiça se baseiam em premissas incorretas”, argumentou a defesa do banqueiro.
Os advogados ainda disseram que a prisão foi baseada em argumentos genéricos. Afirmaram que os fatos relatados na investigação não são contemporâneos e que o Banco Central teria afastado qualquer ameaça ao decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Em nota, o BRB declarou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”. O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. O presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.
A investigação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro revelou indícios de que o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de manter a instituição financeira de Daniel Vorcaro ativa enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
A prisão de Vorcaro foi revogada nesta sexta-feira, 29, pela desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Solange Salgado da Silva. Ela reformou decisão tomada no último dia 20, que mantinha a prisão. Agora, afirmou que, reanalisando o caso “à luz dos fatos” e da documentação apresentada pela defesa, verificou “que não mais subsistem os requisitos para a manutenção da medida cautelar pessoal extrema, sendo atualmente cabível a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas”.