no momento 📖 "O guardador de rebanhos"
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
(...)
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
(...)
Quem me disse que havia que perceber?
Quem me disse que havia que perceber?
Na felicidade ou na infelicidade,
(...)
Na felicidade ou na infelicidade,
(...)
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Que vem a chiar, manhaninha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Que vem a chiar, manhaninha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Do que penso quando estou são
(Senão não estaria doente),
Devo sentir o contrário do que sinto
Quando sou eu na saúde,
Do que penso quando estou são
(Senão não estaria doente),
Devo sentir o contrário do que sinto
Quando sou eu na saúde,
Mentem a tudo o que eu sinto,
São do contrário do que eu sou...
Mentem a tudo o que eu sinto,
São do contrário do que eu sou...
(...)
(...)
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
E não do tamanho da minha altura...
E não do tamanho da minha altura...
Como os regatos e as árvores,
(...)
Como os regatos e as árvores,
(...)
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
(...)
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?
(...)
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?