Emerson U. Cervi
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Emerson U. Cervi
@ecervi.bsky.social

Cientista político. Professor da Universidade Federal do Paraná. Grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública www.cpop.ufpr.br
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Se comparar os quase dois anos de prisão de um ex-presidente com os quase dois meses de prisão de outro ex-presidente fica claro que não há comparação.

1 - o último ano de governo importa mais que penúltimo para associar avaliação e voto;
2 - nem toda a explicação da reeleição está no desempenho do governo, e;
3 - o mais importante: a reeleição ou não de presidente-candidato depende muito de quem são os adversários na disputa.

Em 2025, a positiva apresentou tendência de leve alta e a negativa de queda. Mas, o mais curioso é que o maior saldo negativo nesse momento do governo é de Bolsonaro, que não foi reeleito, e o segundo maior negativo é de FHC, que foi eleito no 1º turno. Do que se conclui que:

A avaliação regular de Lula em 2025 também oscilou em torno de 35%. Ao final do terceiro ano do primeiro e terceiro mandatos de Lula, as avaliações positiva e negativa encontram-se na margem de erro. Com a diferença de que em 2005 a positiva estava em queda e a negativa em alta.

O saldo de Bolsonaro é o mais negativo. Ele não conseguiu se reeleger. O atual governo Lula, em 2025, começa com avaliação positiva oscila entre 30% e 35% o ano todo, com leve tendência de alta. A avaliação negativa oscila em torno de 40%, com leve tendência de queda.

O saldo para Dilma é positivo, com avaliação regular em torno de 40%. No caso de Bolsonaro, em 2021, a avaliação positiva começa em 30%, cai gradativamente e termina o ano em torno de 20%. A negativa começa em 40%, sobre e termina acima de 55%. A regular oscila em torno de 20%.

A regular de Lula em 2005 fica estável em torno de 40%. No caso de Dilma, em 2013, a avaliação positiva começa em 60%, cai para 30% em junho (mês das jornadas), sobe e se estabiliza em 40%. A negativa começa muito baixa, menos de 5%, sobe para 30% e termina o ano em torno de 15%.

FHC foi reeleito no primeiro turno. Em 2005, Lula começa o ano com mais de 40% de avaliação positiva e a série cai para pouco mais de 20% no fim do ano. A negativa, que começa abaixo de 20% apresenta aumento gradativo e passa dos 30% do fim do ano. As duas terminam empatada.

Em ordem cronológica, começando com FHC, em 1993. Começa com avaliação positiva acima de 35%, sobre uma queda e depois se estabiliza em 20%. A Negativa sobre de 15% para cerca de 30% no fim do ano. Saldo negativo para ele. A regular fica estável em torno de 50% o ano todo.

Encerrado o terceiro ano do governo Lula 3 já dá para comparar as avaliações de todos os presidentes que disputaram a reeleição. Um gráfico para cada um, com avaliação positiva, regular e negativa. Sempre considerando o 3º ano do mandato, o que é anterior ao ano eleitoral. Veja:

Se tirarmos a parte dos senadores que votaram sim, mas não disputam as eleições de 2026, sobre uma parcela considerável dos que estão se arriscando. O tema voltará na campanha e a seita bolsonarista é suficiente para eleger deputados, mas, para senadores fica arriscado.

A segunda coisa é que a pesquisa foi feita alguns dias antes da aprovação do projeto no Senado Federal, por 48 votos, pouco mais da metade dos senadores. Um senador precisa ser eleito por voto majoritário, diferente de um deputado, que conta com pequena parcela dos eleitores.

Esse resultado da Latam Pulse, do instituto AtlasIntel é impressionante por vários motivos. Primeiro, o enunciado da pergunta direciona as respostas para o caso específico de Jair BoIsonaro. e, apesar disso, 2/3 dos brasileiros dizem ser contra. Não está meio a meio.

9. A sugestão que eu deixo é, nos casos de intenção de voto, sempre diferencie pesquisas que são feitas em intervalos de tempo pré-estabelecidos das pesquisas que visam medir a 'temperatura' de momento. Na série histórica, as segundas sempre são menos precisas que as primeiras

Em nenhum momento anterior Lula apresentou uma variação tão grande como essa (nem para cima, nem para baixo), no intervalo de um mês, nas respostas espontâneas em pesquisas do mesmo instituto.

8. Outro fato que não pode ser desconsiderado é que junto com o surgimento de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto também houve crescimento dos percentuais de Lula. Na espontânea Lula aparece, em dezembro, com 20%, seis pontos percentuais a mais que novembro, quando tinha 14%.

Em especial nas respostas espontâneas Tarcísio não consegue passar de 2% de citações, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 6% logo após o anúncio de sua pré-candidatura.

7. O que não exclui o fato de que Tarcísio, há quase um ano, está 'patinando' nos mesmos patamares de intenção de voto, apesar da grande visibilidade pública que teve nacionalmente no período.

6. Assim, é preciso esperar as próximas medições para saber se isso é tendência mesmo ou apenas um 'pico momentâneo' gerado pela corrente de opinião.

5. Então, se a pesquisa foi realizada poucos dias depois que Flávio teve presença massiva em meios de comunicação como o escolhido pré-candidato, seria esperado que ele aparecesse pontuando nas pesquisas.

4. Mas, tem como efeito a tendência de favorecer quem está, em determinado momento, com imagem mais presente nos espaços públicos e, por consequência, será mais lembrado pelos eleitores.

3. O instituto Quaest, que apresenta os resultados tem, por decisão empresarial legítima, produzir pesquisas que medem efeitos de ocorrências públicas na opinião do público. Repito, isso é legítimo.

2. No caso de intenção de voto, a memória social é estimulada por presença de imagens dos políticos nos espaços públicos, pincipalmente meios de comunicação.

Sobre a polêmica dos resultados com Flávio Bolsonaro pontuando acima de Tarcísio, na pesquisa Quaest, sugiro prudência. Veja só:
1. No atual momento, faltando 10 meses para o voto, as pessoas respondem as perguntas de intenção de voto mais por memória do que por decisão objetiva.

Quanto a decisão eleitoral, não existiu a consistência tão propalada do evangelismo ao bolsonarismo em 2022. E, olha, tem pastor vociferando e dizendo que que controla seu rebanho, mas, está falando sozinho. Para quem se interessar, o artigo está aqui: seer.ufrgs.br/index.php/de...

Muito se fala sobre o apoio eleitoral dos evangélicos ao bolsonarismo. Na maioria das vezes desconsiderando a diversidade que existe para além do termo "evangélico". Então, eu e a colega Naiara fomos olhar quem são os eleitores evangélicos não-bolsonaristas. E, surpresa....

Os três com maiores percentuais de respostas no caminho errado são Grã-Bretanha , Peru e França. Tem um pessoal no oriente que está concordando mais com os caminhos tomados por seus Países que uma turma do ocidente. Para além disso, Argentina é o quinto em saldo positivo no mundo

O IPOS publicou uma pesquisa de opinião publica comparativa entre Países. A pergunta era se a população acreditava se seu País estava no caminho certo ou errado. O curioso é que as populações que acham que seus Países estão no caminho certo são Singapura, Indonésia e Malásia.

Isso sim é um indicador empírico consistente de polarização. Menos pessoas preferem considerar o governo em torno da média. Ou ele está ótimo/bom ou ele é ruim/péssimo.

Ou seja, até uma década atrás, quase metade da população avaliava os governos como regulares. De 2022 para cá esse percentual caiu quase à metade, variando entre 24% e 28%. Quer dizer, a opinião pública brasileira abandonou o regular, migrando para um dos polos da avaliação.