Vencedor do Nobel de Literatura 2025 terá romance de mais de 400 páginas escrito em uma só frase lançado no Brasil
Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025, o escritor húngaro László Krasznahorkai terá dois novos livros publicados no Brasil. Após o anúncio do prêmio, na manhã desta sexta-feira (9), a Companhia das Letras anunciou que publicará "O retorno do Barão Wenckheim" (originalmente publicado em 2016), em tradução de Zsuzsanna Spiry. A editora também publicará “Herscht 07769”, um romance monumental de mais de 400 páginas escrito em uma só frase.
A Companhia das Letras foi responsável pela única obra de Krasznahorkai publicada no Brasil até o momento, o romance "Sátántangó". Lançado por aqui em 2022, o livro apresenta uma aldeia remota, repleta de personagens estranhos e desajustados, como um médico alcoólatra que observa obsessivamente seus vizinhos e uma garota com deficiência que tenta matar seu gato. Todos esperam pela chegada Irimiás, um homem misterioso que pode ser tanto um profeta como o demônio em pessoa.
Em "O retorno do Barão Wenckheim", Krasznahorkai retoma sua prosa de longos parágrafos e frases contínuas para narrar a volta de Béla Wenckheim, um aristocrata húngaro de 64 anos que, após anos de exílio em Buenos Aires, regressa à sua cidade natal. Ingênuo e excêntrico, o barão sonha em reencontrar seu antigo amor, Marika, mas é recebido por moradores que acreditam que ele traz consigo uma grande fortuna capaz de transformar o destino do lugar.
Já "Herscht 07769" acompanha Florian Herscht, um homem corpulento e de passado nebuloso que vive em uma pequena cidade da Turíngia, na Alemanha. Entre suas tarefas de limpar espaços públicos e remover pichações sob o olhar de um chefe autoritário, Florian encontra consolo nas conversas com uma bibliotecária e nas lições cósmicas de um ex-professor de física, revelando o olhar compassivo e quase místico de Krasznahorkai sobre a solidão e a transcendência.
Krasznahorkai foi anunciado como vencedor do Nobel de Literatura pela Academia Sueca, "por sua obra poderosa e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte". Em 2015, já havia recebido o Man Booker Prize. A ensaísta americana Susan Sontag definiu o escritor húngaro como um "mestre do apocalipse." Também roteirista, Krasznahorkai é frequente colaborador do cineasta Béla Tarr, seu conterrâneo. Com ele, adaptou "Sátántangó" para o cinema em 1994.