Escola de elite de SP expulsa alunos e apura acesso antecipado a prova que favorece entrada em universidades pelo mundo
A escola St Paul's decidiu expulsar alunos depois de constatar que um grupo deles entrou numa sala em que estavam guardadas provas internas. Em meio a uma investigação interna, a instituição teve acesso a imagens de câmeras que mostravam os estudantes filmando o conteúdo de um exame. Mais de um aluno foi expulso, e o número pode aumentar conforme a apuração avança.
As informações foram publicadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pelo GLOBO. Relatos do caso passaram a circular na escola e em outras unidades de elite neste semestre, o que levou à abertura da apuração e de um canal de denúncias anônimas. Em nota, a St Paul's School afirmou que trata o caso "com máximo rigor" e o classificou como um "incidente relacionado à irregularidade acadêmica em uma avaliação interna".
Segundo a Folha, as investigações tenta descobrir se os alunos tiveram acesso antecipado a provas que facilitam a admissão em universidades renomadas pelo mundo, como as americanas Harvard e Stanford, e para quem elas eram repassadas.
"Dada a gravidade do assunto, a escola iniciou uma investigação detalhada para apurar os fatos, com apoio de profissionais externos, e vem tomando todas as ações necessárias para garantir a integridade de seus processos acadêmicos, inclusive com medidas educativas e disciplinares implementadas de acordo com as políticas e valores da instituição", destaca a nota.
Em escolas como a St Paul's, que adotam o currículo International Baccalaureate (IB), os alunos realizam provas e trabalhos ao longo de dois anos para, se aprovados, receberem um certificado de ensino internacional. O documento integra e valoriza o portfólio do aluno enviado para algumas das principais instituições universitárias do mundo, embora não garanta a admissão. Além de ter boas notas na instituição, o estudante precisa passar por uma avaliação final externa do IB.
Em nota, a escola ressaltou não poder comentar casos individuais "devido à natureza confidencial da investigação e à necessidade de proteger a privacidade dos envolvidos". Destacou, ainda, que prioriza "a manutenção dos mais altos padrões de integridade acadêmica, oferecendo, ao mesmo tempo, o suporte adequado a todos os seus alunos".
"A St. Paul’s reforça que mantém sistemas e processos robustos, que estão sendo ainda mais fortalecidos. Às vésperas de completar seu centenário, a escola reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente pautado pela honestidade e pela excelência acadêmica", acrescenta a nota.